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domingo, 22 de julho de 2018

Brasil, cada dia mais dificil pensar livremente


Pesquisadora feminista se ausenta de Brasília após ameaças

Publicado em 20/07/2018 - 22:15

Por Gilberto Costa - Repórter da Agência Brasil Brasília

A antropóloga Débora Diniz, professora do Departamento de Direito da Universidade de Brasília, e pesquisadora em temas feministas do Instituto Anis, residente em Brasília, deixou a capital federal após ouvir ameaças e agressões verbais.

O destino é desconhecido. A Agência Brasil apurou que a viagem ocorreu após orientação policial. Em junho, Débora Diniz prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo a Polícia Civil, “a investigação é desenvolvida em sigilo”.

Há relatos de que a pesquisadora recebeu pela internet e ouviu ameaças de morte, foi perseguida após uma palestra e tem sido procurada na universidade por pessoas estranhas ao ambiente acadêmico - nem alunos, professores ou pesquisadores.

A pesquisadora do Anis Instituto de Bioética, Débora Diniz, deixou a capital federal após ouvir ameaças e agressões verbais - Imagem de divulgação/TV Brasil

Débora Diniz é vítima de assédio desde a década passada, quando publicou pesquisa sobre aborto por anomalia fetal. “Mas as ameaças cresceram rapidamente nos últimos meses”, descreve fonte que pede para não se identificar.

A pesquisadora é uma dos 45 representantes da sociedade civil que participarão de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto para discutir a aplicação dos artigos do Código Penal que criminalizam o aborto provocado pela gestante ou realizado com sua autorização.

A ONU prestou solidariedade à pesquisadora em nota que expressa preocupação e “repudia as manifestações de ódio e ameaças”. A organização afirma que Débora Diniz é “ativista de longa data pela saúde pública e universal” e “é internacionalmente reconhecida por seu trabalho (...) em questões relacionadas à saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres".

A Lei Maria da Penha tipifica violência psicológica e moral contra as mulheres e prevê penalidades. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, essas formas de violência foram as mais recorrentes no ano passado e no primeiro trimestre deste ano (64,5% nos dois períodos).

Em todo o país, o balanço do Ligue 180 da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres registra em 2016: 44.630 relatos de violência psicológica (31,8% dos casos registrados) e 8.439 relatos de violência moral (6,01%).

Edição: Carolina Pimentel


sábado, 30 de junho de 2018

Policia que mata inocentes


Rio: ONU lamenta morte de estudante no Complexo da Maré

Publicado em 26/06/2018 - 23:17

Por Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro




A Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil lamentou hoje (26), em comunicado, a morte do estudante Marcus Vinícius da Silva, de 14 anos, durante uma operação da Polícia Civil, no Complexo da Maré, zona norte do Rio, na última quarta-feira (20). De acordo com a ONU, a morte do adolescente "é um exemplo do trágico número de 31 homicídios de crianças e adolescentes que acontecem por dia no Brasil". 

De acordo com o organismo internacional, somente em 2015, 11.403 adolescentes de 10 a 19 anos foram vítimas de homicídio no país, considerado o maior número absoluto de mortes de pessoas nesta faixa etária no mundo. “Os adolescentes negros estão três vezes mais vulneráveis a mortes violentas em comparação com os brancos na mesma faixa etária”.

A ONU também lançou a campanha "Vidas Negras", pelo fim do racismo e da violência letal contra a população negra. No documento, as Nações Unidas fazem um apelo público “pela garantia do direito à vida de cada criança, adolescente, jovem, mulher e homem negro”.

"É inadmissível que a trajetória de vida de adolescentes, como Marcus Vinícius da Silva e tantos outros, seja interrompida de forma violenta, gerando consequências tão graves quanto permanentes para outras crianças e adolescentes, suas famílias, suas comunidades e a sociedade brasileira", disse a ONU.

Abraço à escola de Marcus Vinícius

Amanhã (27), quando completa uma semana da morte do estudante Marcus Vinícius, moradores do Complexo da Maré se reúnem às 9h para um abraço à Escola Municipal Vicente Mariano, onde o adolescente estudava. A Secretaria Municipal de Educação participa do ato. 

Alunos e professores de várias unidades educacionais da Maré saem caminhando de suas escolas em direção à Escola Vicente Mariano, que fica na Baixa do Sapateiro, uma das comunidades que integram o Complexo de Favelas da Maré.


 

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Edição: Fábio Massalli


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Líbia, Libia, África



Enviado da ONU: Líbia precisa de forças armadas unificadas para combater Daesh


O enviado especial da ONU para Líbia, Martin Kobler, disse nesta terça-feira que Tripoli não conseguirá derrotar Daesh em seus território, enquanto diversos grupos e formações militares atuantes no país não se unirem, informou Reuters.



 © Foto: wikimedia.org
Desde 31 de março entrou oficialmente em vigor o novo governo de união nacional. A principal tarefa do novo governo é restaurar a unidade do país que, desde a queda do regime de Muamar Kadhafi em 2011, beirava à desintegração. Algumas regiões da Líbia ainda estão em poder de grupos terroristas relacionados ao Daesh.

"Algo deve ficar muito claro. O combate ao Estado Islâmico, antes de tudo, deve ser uma luta dos líbios, uma luta unificada", declarou Kobler durante reunião com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault.

"Ninguém, agindo por si só, logrará sucesso. Por isso é importante que todas as forças atuantes na manutenção da segurança no ocidente e no oriente unam os seus esforços. Deve haver uma estrutura de comando conjunta e um exército unificado, sob comando do governo de união nacional", completou o enviado da ONU. 

Segundo Reuters, França já enviou destacamentos especiais para Líbia, com objetivo de ajudar grupos armados no país a combater o Daesh.